terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Bom Dia


Duas palavras que juntas foram feitas para começar o dia, mas não começar de qualquer jeito e sim para iniciar o dia com um sorriso. Os efeitos delas são tão magicamente fortes que as vezes me parece inacreditáveis.
Deixe-me te explicar:

Outra manhã entrei em um ônibus. O cobrador que trabalhava rapidamente, mal olhava nos olhos de quem entregava o troco. Sua postura era tão curva que facilmente se via um "C". Para aqueles mas ligados ao etéreo existia uma nuvem negra pairando sobre seus ombros. Uma menina que estava na fila, baixa, não mais de 14 anos olho para ele e disse "Bom dia moço" e sorriu enquanto segurava o dinheiro na altura do próprio rosto. O cobrador olhou para a menina e respondeu meio tímido com oi quase inaudível. Eu, meio que curioso com aquela situação, continuei o que aquela menina iniciou e falei um bom dia com a mesma firmeza e gentileza que minha inspiradora. O cobrado, já sentado um pouco mais reto olhou em meus olhos me respondeu mais feliz. Assim todos que foram entrando foram sendo contagiados por essa magia que é dar e receber um comprimento matinal.

Mas não só com desconhecidos que a coisa funciona assim. Nada mais gostoso do que levantar, sentir o cheiro do café e escutar as palavras magicas da doce voz da sua mãe, ou sentir um soquinho no ombro que se reverte em um abraço acompanhado do desejo sincero de um amigo.

Ou ainda melhor,

Sentir um toque nos lábios antes mesmo de abrir os olhos e um bom dia sussurrado no ouvido quase erótico faz qualquer amor durar para sempre.

Talvez seja isso, talvez essas duas palavrinhas sejam uma pequena demonstração de amor necessária para qualquer relacionamento, mesmo aqueles que ainda não existam.

Lembre sempre da magia que o seu bom dia pode ter e se você não acredita, tente!

Bom dia!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Singularidades

A noite chega como um conforto. 
Ela toma banho, veste se jeans rasgado, calça suas botas e sai para a escuridão.
Ela gosta da brisa noturna e se anima pra o que a noite promete.

Para onde ir? 
Pub e ver pessoas bebendo e rindo da vida, mas tem aqueles que vão para lamentar também. Hoje não! Sem lamentações.
Festa e ver corpos se desligarem de suas almas e se entregarem incondicionalmente para a batida forte e ritmada, mas tem também quem se desligue por meio de sujeira que dopa e apodrece. Sem lixo.

O jeito é andar. Ela quer apenas ver.
Augusta é o melhor lugar!
Ela quer ver todos os tipos de pessoas que passam para suas próprias preocupações, vidas e diversões. 

Ela gosta do jeito que aquele cara anda, elegante como um cisne. Nenhuma garota que ela conhece andaria tão bem de salto como ele! E aquela menina tímida no canto de olho no casal do lado, será que ela sente inveja ou desejo de participar também? 
Olhos transparecendo seres únicos. Muitos deles. Muita energia.

Tudo o que ela precisa era isso, ver a vida que a cerca para que ela tenha certeza que não está sozinha. Para que tenho um motivo pelo qual acordar na próxima manhã. Pessoas de todos os tipos e suas singularidades fazem dela o que ela é. 

Ela mesma.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Rotina

Acorda, um bom dia, um sorriso. Se veste, escova os dentes, toma um pouco de café enquanto espera ele ficar pronto. O elevador chega, entra e aperta o botão, uma troca de olhares e a porta se abre. No caminho um silencio comum.

Ao se reencontrar depois de um dia cansativo um "como foi seu dia?", um "cansativo" como resposta. A televisão é ligada, nada de interessante e o corpo avisa sobre a fome. Preparar algo ou sair para algum lugar? A opção de pedir também. Pizza, salada ou algo mais requintado?

Que dia é hoje? Não importa pois agora eles são todos cada vez mais parecido, cada vez mais automáticos. Rotina é bom(?), do que está reclamando? Nada, não a nada para se reclamar.

Bom dia; Um beijo
Se vestir; Um te amo
Escovar os dentes; Um olhar carinhoso
Café rápido; Uma caricia
O elevador; Um abraço quase infinito
O caminho; Um andar juntos infinito.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

História repetida


Ela sente que está vendo o mesmo filme pela vigésima, porém não tem uma tela na sua frente. No máximo as armações grossas dos seus óculos a ajudam a se transportar para o papel do espectador.

A história é a mesma: Uma garoto e uma garota em umas das muitas brigas que um relacionamento os reservam. Ele está infeliz com qualquer coisa que provavelmente ela não seja o motivo e ela confusa e insegura com essa infelicidade dele.

Chega de ser espectadora. Ela volta a si, sente o choro entalar na garganta mas não o deixa escapar. Por um momento ela pensa na sua própria insegurança. "Será só com ele? Não estarei insegura com outras coisas, comigo mesma?". Brigar não adianta e ela cansou de tentar agradar. Ela pensa em sair para caminhar sem ele e esperar toda aquela emoção ir embora para raciocinar direito, mas ele espera uma resposta dela.

Ela tem medo de ser totalmente sincera naquele momento. Não quer admitir que foi cansativo pra ela tentar agrada-lo, não que ela tenha feito apenas por ele. O que ela queria era ficar com ele, ao menos um pouquinho, só ela e ele. Sem problemas, sem preocupações, tirando tudo que pudesse tirar a atenção deles um do outro. Tudo que ela queria é ter ele por algumas horas só pra ela. Mas ela agora sente que só piorou as coisas.

Qual seria a palavra certa para esse momento?

Ela sente sua boca secar e seus lábios manifestarem as primeiras contrações do movimento. Ela olha para ele tentando ser o mais sincera possível e torcendo para que ele não a entenda de forma errada.

"Me desculpe..."


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Segredo

Eu tenho um segredo. Sou apaixonada por uma pessoa. Não é uma paixão comum dessas que a menina escreve no caderno da escola cartas de declaração que nunca vão ser entregues, ou que o garoto fica triste ao ver a sua amada com um idiota.
Minha paixão não se manifestou como normalmente acontece. Não foi um amor a primeira vista ou uma amizade que foi se transformando conforme os interesses se alinhavam.

Um dia disse oi sem interesse, precisava me soltar. Minha timidez sempre me atrapalhou um pouco então resolvi me vencer. A resposta foi amigável mas mesmo assim foi um pouco assustador para mim romper essa barreira. 

Escolhi para isso a pessoa que achava mais extrovertida que estava ao meu alcance. Acho que por causa da sua personalidade sempre o admirei.

Ele nunca fez muito o meu "tipo" e mesmo assim me chamou a atenção, seu jeito era totalmente diferente do meu e suas qualidades me faziam querer tomar pra mim parte de suas virtudes assim eu poderia evoluir um pouco mais. Era um ícone do qual queria aprender algumas coisas.

Um dia percebi certo interesse da parte dele em mim, achei graça. Quem diria? Saímos, bebi e flertamos. Ficamos. Continuamos a ficar e quando notei estava apaixonada.

Agora me preocupo.

Sou mesmo boa o suficiente para ele?
Será que não estou atrapalhando?
Será que ele aprende e cresce comigo como eu cresço com ele?

Nada disso eu sei. Enquanto eu achar que estou fazendo bem para ele ficarei ao seu lado, quando sentir que não estou mais o fazendo feliz e acrescentando na vida dele, irei embora.


Afinal eu o amo e amar e desejar acima de tudo o bem.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Manhã


 O calafrio sobe com o sopro gelido da brisa da manhã. O toque suave do cachecol de lã grosso conforta. O caminhar apressado confronta com os movimentos sonolentos dos olhos. O barulho dos carros e das pessoas não existem nos ouvidos imersos em pensamentos silenciosos.

Ela é recebida com o cheiro do café e um sorriso simpatico não muito familiar. No bloquinho a caneta preta indica uma refeição típica e simples que será a solução de um problema natural. A mesa preta contrasta com a pagina branca da revista ilustrada com traços finos e suaves. Os dedos deslizam no papel guiando a leitura lenta e concentrada. Uma fala da historia a traz de volta para a lanchonete da esquina e o café acompanhado com o pão quente é recebido com surpresa.

agradecimento simpático

resposta educada

a lembrança volta

a solidão aumenta

Ela sente o cheiro do seu café e saboreia o seu pão. O calor da comida conforta seu coração com lembranças de casa, da infância, do abraço, da voz que soa como uma canção de ninar.

Enquanto ela paga pelo sorriso quase familiar e a proteção contra o vento úmido, ela escolhe ficar com o sentimento que o café lhe causou torcendo para que não seja uma felicidade ilusória e sim um pressagio para um toque carinhoso nesse dia que apenas começa.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Liberdade?


Esses dias ouvir falar muito de liberdade de varias formas e cores e assuntos. Na verdade foi como levar vários tapas na cabeça enquanto alguém gritava sobre liberdades das quais estamos sempre procurando.
O sonho da liberdade!
Eu entendo o quanto o conceito de libertação é tentador e necessário para a vida de qualquer pessoa. Mas esses dias isso me sufocou a ponte de eu ver essa sede de liberdade como na verdade ser só mais uma forma de prisão.
Se você, como pessoa e personagem principal da sua história não se sente livre para fazer qualquer coisa (minima que seja) que sua mente possa criar está numa prisão.

Hoje a maior prisão que tenho em minha mente mais que criativa é a capacidade de fazer.

Isso mesmo! FAZER

Eu nunca contei aqui quem eu sou e pra entender isso acho que preciso me expor um pouco mais!
la vai:

Eu sou uma... um ser humano do sexo feminino... que ja está com quase seus 23 anos de idade.
Nasci numa família de classe media típica de Brasilia. Pai funcionário publico e mãe secretaria escolar. Os dois nordestinos com historias de superação por causa da mudança e com uma mania de se por como pobres coitados lutadores sobreviventes.
Como quase todas as famílias que estive envolvida nessa minha jornada, meus pais são separados. E isso aconteceu por um motivo que é bastante comum mas que ninguém toca muito no assunto: alcoolismo.
Tive uma instrução escolar muito boa, estudei o fundamental em escolas boas. Minha mãe sempre garantiu que eu estivesse sempre em ótimas escolas, sendo publicas ou particulares e me deu a oportunidade de sempre fazer tudo o que eu queria. Desde cursos a saídas com amigos sendo a sua única preocupação o meu aprendizado com todo aquele movimento e isso me fez muito bem e então eu criei.
Criei desde desenhos tortos até movimentos politicos dentro das escolas que estudei. Criei grupos de estudos filosóficos a textos fictícios que no final não tinham sentido nenhum. Criei com isso vários futuros possíveis para mim. Eu sentia que podia qualquer coisa que eu quisesse e agora vejo que tinha total razão. Eu poderia ser e fazer qualquer coisa que a minha mente criativamente ativa imaginasse porque eu tinha uma mulher forte que me proporcionou isso. Ela me deu a liberdade.

Então eu cresci e continuei a criar e ser e fazer, mas com o tempo eu não via mais motivos para isso. Perdi algo no caminho e na verdade não sei o que é ainda, mas essa coisa que eu perdi me deu outra no lugar. Medo e uma certeza que não sou nada e não consigo fazer nada.

e agora eu não sou mais livre para tudo. Eu apenas sou.

Essa é a pior de todas as prisões! A que você cria pra si mesmo.

Apenas faça.