sexta-feira, 30 de outubro de 2015

História repetida


Ela sente que está vendo o mesmo filme pela vigésima, porém não tem uma tela na sua frente. No máximo as armações grossas dos seus óculos a ajudam a se transportar para o papel do espectador.

A história é a mesma: Uma garoto e uma garota em umas das muitas brigas que um relacionamento os reservam. Ele está infeliz com qualquer coisa que provavelmente ela não seja o motivo e ela confusa e insegura com essa infelicidade dele.

Chega de ser espectadora. Ela volta a si, sente o choro entalar na garganta mas não o deixa escapar. Por um momento ela pensa na sua própria insegurança. "Será só com ele? Não estarei insegura com outras coisas, comigo mesma?". Brigar não adianta e ela cansou de tentar agradar. Ela pensa em sair para caminhar sem ele e esperar toda aquela emoção ir embora para raciocinar direito, mas ele espera uma resposta dela.

Ela tem medo de ser totalmente sincera naquele momento. Não quer admitir que foi cansativo pra ela tentar agrada-lo, não que ela tenha feito apenas por ele. O que ela queria era ficar com ele, ao menos um pouquinho, só ela e ele. Sem problemas, sem preocupações, tirando tudo que pudesse tirar a atenção deles um do outro. Tudo que ela queria é ter ele por algumas horas só pra ela. Mas ela agora sente que só piorou as coisas.

Qual seria a palavra certa para esse momento?

Ela sente sua boca secar e seus lábios manifestarem as primeiras contrações do movimento. Ela olha para ele tentando ser o mais sincera possível e torcendo para que ele não a entenda de forma errada.

"Me desculpe..."


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Segredo

Eu tenho um segredo. Sou apaixonada por uma pessoa. Não é uma paixão comum dessas que a menina escreve no caderno da escola cartas de declaração que nunca vão ser entregues, ou que o garoto fica triste ao ver a sua amada com um idiota.
Minha paixão não se manifestou como normalmente acontece. Não foi um amor a primeira vista ou uma amizade que foi se transformando conforme os interesses se alinhavam.

Um dia disse oi sem interesse, precisava me soltar. Minha timidez sempre me atrapalhou um pouco então resolvi me vencer. A resposta foi amigável mas mesmo assim foi um pouco assustador para mim romper essa barreira. 

Escolhi para isso a pessoa que achava mais extrovertida que estava ao meu alcance. Acho que por causa da sua personalidade sempre o admirei.

Ele nunca fez muito o meu "tipo" e mesmo assim me chamou a atenção, seu jeito era totalmente diferente do meu e suas qualidades me faziam querer tomar pra mim parte de suas virtudes assim eu poderia evoluir um pouco mais. Era um ícone do qual queria aprender algumas coisas.

Um dia percebi certo interesse da parte dele em mim, achei graça. Quem diria? Saímos, bebi e flertamos. Ficamos. Continuamos a ficar e quando notei estava apaixonada.

Agora me preocupo.

Sou mesmo boa o suficiente para ele?
Será que não estou atrapalhando?
Será que ele aprende e cresce comigo como eu cresço com ele?

Nada disso eu sei. Enquanto eu achar que estou fazendo bem para ele ficarei ao seu lado, quando sentir que não estou mais o fazendo feliz e acrescentando na vida dele, irei embora.


Afinal eu o amo e amar e desejar acima de tudo o bem.