quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Manhã


 O calafrio sobe com o sopro gelido da brisa da manhã. O toque suave do cachecol de lã grosso conforta. O caminhar apressado confronta com os movimentos sonolentos dos olhos. O barulho dos carros e das pessoas não existem nos ouvidos imersos em pensamentos silenciosos.

Ela é recebida com o cheiro do café e um sorriso simpatico não muito familiar. No bloquinho a caneta preta indica uma refeição típica e simples que será a solução de um problema natural. A mesa preta contrasta com a pagina branca da revista ilustrada com traços finos e suaves. Os dedos deslizam no papel guiando a leitura lenta e concentrada. Uma fala da historia a traz de volta para a lanchonete da esquina e o café acompanhado com o pão quente é recebido com surpresa.

agradecimento simpático

resposta educada

a lembrança volta

a solidão aumenta

Ela sente o cheiro do seu café e saboreia o seu pão. O calor da comida conforta seu coração com lembranças de casa, da infância, do abraço, da voz que soa como uma canção de ninar.

Enquanto ela paga pelo sorriso quase familiar e a proteção contra o vento úmido, ela escolhe ficar com o sentimento que o café lhe causou torcendo para que não seja uma felicidade ilusória e sim um pressagio para um toque carinhoso nesse dia que apenas começa.